criança, Família

No que as crianças ainda acreditam?

Na era do Google e de filhos sabichões, qual é o lugar da fantasia? Aonde fica o imaginário dessas crianças? E no que elas ainda acreditam? 

Lembra aquele tempo em que a gente acordava de manhã ansioso para ver quantos ovos de chocolate o Coelho da Páscoa tinha deixado na cesta e, depois, saía correndo para seguir suas pegadas por toda a casa? Ou então do coração batendo mais forte quando o Papai Noel chegava à meia-noite distribuindo presentes de Natal? Era uma época em que se acreditava num mundo cheio de fantasias – com fada do dente, duendes, bicho-papão e tudo a que se tinha direito – e o melhor? Uma época em que a gente gostava de acreditar.

Hoje em dia, talvez pela enxurrada de informações que recebemos a todo o momento, talvez pela facilidade com que conseguimos achar as respostas para todas as coisas, parece que a fantasia está perdendo cada vez mais espaço na infância. Bastam alguns segundos para uma criança de sete anos acessar o Google e descobrir quase tudo o que quiser sobre qualquer assunto. E assim, esperar pelo presente de Natal não tem mais graça nenhuma. “Isso é coisa de criancinha, mãe”, eles dizem antes mesmo de sair da Educação Infantil.

Mas, afinal, essa mudança é boa ou não? Estamos criando filhos mais ou menos preparados para a vida real na medida em que deixamos de alimentar esse universo de sonhos?  “Em um mundo cada vez mais tecnológico e moderno, muitas crianças obtém dados da realidade mais precocemente e, em geral, ainda não estão preparadas para as informações que esse universo traz, o que pode gerar muita frustração. O sentido da infância é ser criança e, se perdermos essas referências, perdemos a magia de acreditar que tudo é possível”, destaca a psicóloga clínica Amanda Lima.

Portanto, não importa o quanto os amigos da escola digam que colocar o dente debaixo do travesseiro é bobo, nosso papel é ir lá enquanto nosso filho dorme e trocar o dente de leite por uma moedinha. É fingir que está arrepiado de frio quando se tem uma Elsa na sala de casa cantando Let It Go com a certeza de que vai congelar todos os móveis. É encher o apartamento com pegadas de farinha e dizer que o Coelho da Páscoa acabou de fugir pela janela.

“Do ponto de vista psicológico, o universo da criança é a fantasia, ela entende e se expressa através dela. Por isso, é muito importante estimulá-la. É por meio dela que a criança vai se preparando para a vida adulta”, explica a psicóloga clínica Amanda Lima, que acrescenta: “conforme a criança vai crescendo e o pensamento lógico começa a se desenvolver, ela vai percebendo sozinha alguns sinais de que aquelas figuras não são reais. Mas até essa percepção faz parte do amadurecimento da criança”. Então, a ideia aqui não é alienar ninguém. Apenas ajudar a aproveitar ao máximo os anos de inocência com muita, muita imaginação.

Previous Post Next Post

You Might Also Like

No Comments

Leave a Reply