educação

Quando devo colocar meu filho para aprender outro idioma e qual método?

Num mundo tão competitivo como o de hoje, falar não apenas mais uma e sim duas ou três línguas, é o “sonho” ideal de todo pai ou mãe que deseja ver seu filho bem-sucedido no futuro. Porém, a expectativa que os pais criam em torno deste aprendizado pode ser frustrada e ainda pior: obrigar uma criança a aprender um outro idioma pode ser terrivelmente traumático. Como evitar isso e estimular a criança para um aprendizado que seja prazeroso e efetivo?

A mestre em neurolingística pela UFRJ e diretora do Dice English Course no Rio de Janeiro (primeiro curso para bebês a partir dos seis meses de idade) mostra aqui pra gente como é possível crianças aprenderem uma outra língua de forma duradoura e sem traumas.

É comum que os pais criem uma expectativa  em relação ao aprendizado de um idioma novo pelos filhos. Saber o momento certo para matricular a criança no curso de línguas é uma das principais dúvidas. Segundo a Mestre em Neurolinguística pela UFRJ e diretora psicopedagógica do Dice English Course Eloísa Lima, quanto mais cedo uma criança tiver contato com outro idioma, mais natural e, portanto, mais facilmente ela aprenderá, tornando-se um verdadeiro indivíduo bilíngue.

Do ponto de vista do aprendizado, é importante considerar o quanto dominar outra língua desde cedo é vantajoso. O período do nascimento até em torno dos sete, oito anos de vida, é chamado de “período crítico para a linguagem”, considerado o mais fértil para a aquisição de outro idioma. “Quanto mais estímulos linguísticos, com qualidade, o meio puder proporcionar às crianças, maiores serão as possibilidades delas adquirirem plena fluência em quantos idiomas estiverem expostas”, explica Eloísa.

Dúvida esclarecida, agora é o momento de entender que os métodos de ensino devem ser levados em conta ao matricular a criança num curso de idiomas.  Metodologias que utilizam jogos como estratégia de ensino e que lidam com vocabulário em contexto adequado é o grande sustento do interesse infantil nessa dinâmica. Desta forma, os alunos tem prazer em aprender, entendem que a língua faz parte de um contexto e, através da  vivência  é que se  adquire a língua de uma forma natural e espontânea. Segundo Eloísa, a imersão total no idioma é condição fundamental no aprendizado do aluno que está no período crítico.

Não há a necessidade de tradução das frases. A palavra isolada, solta de um contexto, não diz muita coisa. Portanto os educadores, devem estar cientes de que a experimentação (ação acompanhada da fala fluente) é a didática ideal. O que nutre o processo de aprendizagem é o principio de que todo o entorno da criança esteja em constante ebulição e, sob o uso da língua. Dessa forma, ela, com certeza, aprenderá coerentemente sob a maneira que  enxerga o mundo, logo terá muito mais prazer em dominar o idioma.

O aprendizado através dos livros deve ser cuidadosamente avaliado. O senso comum compreende que não é possível o uso de um livro didático como suporte do aprendizado para uma criança que ainda não lê ou escreve. A situação complica a partir do momento em que as crianças já estão lendo e escrevendo no idioma materno. “Pegar” no lápis sem saber falar a língua é o que mais desestimula o aprendizado das crianças em todo o mundo. Além da má impressão que estudantes têm dos livros didáticos. O que eles pensam é que um livro só serve para fazer exercícios. Isso se agrava quando, no momento do estudo do idioma, as atividades do livro são repetitivas e enfadonhas. O objetivo desta habilidade deve servir à diversão e não especificamente para a realização de exercícios acadêmicos, avalia a psicopedagoga.

Portanto, a família precisa estar atenta e deve buscar um curso que faça uso dos princípios cognitivos básicos da criança, que tenha métodos que diferem totalmente da maneira como ensinam outro idioma aos adultos. Para estimular as crianças é preciso que o método proponha atividades lúdicas, prazerosas, ativas do ponto de vista da atuação do aluno na ação propriamente dita.

As metodologias de ensino de idiomas, em geral, não se preocupam com a “brincadeira” como parte do trabalho pedagógico, mas com a questão acadêmica. Com isso inibem a espontaneidade dos grupos infantis. Métodos para adultos não podem ser adaptados para crianças. Segundo Eloísa, é comum encontrar cursos apresentando conteúdo da língua através de vocábulos isolados tais como números, cores, animais, e propondo memorização por repetição. Além disso, a língua nativa é utilizada durante as aulas na tentativa de explicar as atividades acadêmicas. Tais propostas não fazem sentido para a criança. Em sua maioria, os métodos de ensino de línguas promovem situações artificiais, cansam os pequenos. Desta forma, eles acabam desenvolvendo rejeição ao ensino do idioma.

“Minha sugestão é que aos primeiros sinais de recusa da criança em ir para as aulas, os pais  procurem conhecer melhor como acontece a metodologia aplicada no curso. As crianças não conseguem lidar com o saber que não seja utilitário. Um idioma serve para comunicar um desejo, uma necessidade, uma informação.  Portanto se o idioma é o inglês, elas precisam usar a língua dentro do contexto proposto, interagindo com um interlocutor com objetivo da comunicação verdadeira. Brincando se conquista a necessidade para aprender”, finaliza a  psicopedagoga.

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