educação

Filho único e a escola

Geração filho único: professores desenvolvem atividades para incentivar o trabalho em equipe e a autonomia dos alunos

Com o passar dos anos, os casais foram reduzindo o número de filhos para poder proporcionar melhores condições de vida a eles. Há três décadas, as famílias pequenas eram raridade no Brasil, hoje não. A média de filhos por casal chegava a quase seis em 1970, por exemplo. Ao longo dos anos e com as mudanças conquistadas pelas mulheres, esse número foi caindo, até chegar a 1 a 2 filhos por família (dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE/2010).

Apesar das famílias estarem menores, o fato de ser filho único não é a única causa dessa mudança de comportamento. “O filho único não tem a necessidade de dividir com outra criança a atenção dos pais, porém, mesmo aqueles que têm irmãos, às vezes, não costumam partilhar nem mesmo os espaços e os brinquedos. Isso é reflexo da era digital, onde cada um tem sua TV, seu computador e também da sociedade atual, em que os pais tentam suprir sua ausência com bens materiais”, explica a pedagoga Adriana M. Corrêa e Sá, coordenadora do 2º ao 5º ano do Ensino Fundamental do Colégio São Luís. Dentro das turmas que Adriana coordena no Colégio, em média, oito em cada 20 alunos não tem irmãos. “Hoje a criança é mais individualista e a maioria tem dificuldade de partilhar e aceitar a opinião do outro.”

O colégio realiza diversas ações com o intuito de ampliar a interação dentro e fora do ambiente escolar, além de despertar o senso de cidadania e solidariedade.  E não só o São Luis como outras escolas têm feito o mesmo. Vivências com a família aos sábados, passeios e visitas a asilos e instituições que precisam de ajuda, correspondência por cartas com crianças de outras cidades e estados, campeonatos de esportes dentro da escola e mais uma série de atividades. Isso provoca a criança a socializar, a dividir, a dar atenção ao próximo e sair do universo egocêntrico.

Nas séries iniciais do Ensino Fundamental, os professores incentivam os trabalhos em grupos para que os alunos entendam que não se trata de competição, mas de colaboração.  “Há um esforço cada vez maior dos educadores para propor aos estudantes ações que o tornem mais independentes, além de fazê-los compreender a importância da proximidade com o outro. Mas esse é um trabalho a longo prazo, que só com tempo conseguimos ver o resultado”, ressalta Adriana.

“Nessa fase, a maioria das atividades visam promover o conhecimento e a solidariedade entre os alunos, gerando assim um senso crítico e de responsabilidade”. De acordo com a coordenadora, “com o passar dos anos é possível notar uma maior integração e coletivismo entre os alunos. Além de obtermos uma melhora na comunicação e expressão apropriada de opiniões, sentimentos e ideias”, conclui Adriana.

Pra nós, pais, fica o despertar da consciência para que tiremos nossos filhos da bolha, literalmente. É preciso incentivá-los a dividir, a colaborar, a ajudar, a olhar para o outro como olha a si mesmo. Só assim teremos uma sociedade mais colaborativa e um mundo melhor, mais humano.

 

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