Alimentação

Entenda a alergia e a intolerância alimentar

A matéria é longa mas vale a pena. Você vai entender tudo sobre alergia e intolerância alimentar. Vamos lá. Fôlego.

Alimento é o assunto em voga dos nossos tempos e como reflexo cresce o numero de crianças alérgicas no Brasil. Entender o que é a alergia infantil assim como a intolerância alimentar são caminhos importantíssimos para seu filho crescer forte e saudável.

O assunto não poderia ser mais propício para o momento. Alimentação, em todos os âmbitos, têm sido discutida e falada cada vez mais. Seja pela abordagem da educação a mesa, o que se põe a mesa, as quantidades e qualidades do que se come e quem come. Crianças são foco nessa discussão. Porque espelham o que será nossa alimentação num futuro bem próximo e também nos mostram o que comemos hoje pode provocar em nossos organismo e saúde. A predisposição genética define muito se uma criança será alérgica ou não, mas digamos que 40% é determinada pela qualidade dos alimentos que ela ingere. Ou seja, uma alimentação saudável garante uma criança saudável. A resposta não precisa nem vir de médicos (apesar deles confirmarem o que estou falando) porque na prática um caso foi publicado recentemente no site Hypeness. Maya de 9 anos tinha uma doença crônica de pele chamada eczema e foi com a mudança radical na alimentação da menina que a mãe, a polonesa Ullenka Kaczmarek, conseguiu garantir a filha uma vida saudável e sem doenças de pele. Hoje, não só ela como toda a família, se alimenta basicamente de frutas e vegetais crus. O caso da Maya pode parecer extremo e raro, mas não é. Muitas e muitas crianças são alérgicas. “O número aumentou e muito deve-se ao fato de estarmos muito mais expostos a metais pesados, ingerirmos um volume grande de corantes e acidulantes, além do excesso de proteínas que consumimos”, explica a Dra Vanderli Marchiori, nutricionista e vice presidente da Associação Paulista de Fitoterápicos. A Dra Vanderli também assessora e apoia um grupo grande de mães com filhos alérgicos e recebe em seu consultório muitas mães com queixas que não sabem do que pode ser. O diagnostico de uma possível criança alérgica ou uma intolerância é difícil de ser feito e pode, facilmente, ser confundido com inúmeras outras doenças.

Então vamos começar essa matéria explicando o que parece ser básico, mas é exatamente onde todo mundo se atrapalha – a diferença entre alergia e intolerância.

A alergia é uma reação do nosso sistema imunológico contra a proteína, especificamente, presente no alimento, causando uma resposta negativa. Você come o alimento, digere e depois ele vai causar uma reação maléfica ao organismo.

Por exemplo, a alergia ao leite de vaca (APLV) é uma reação alérgica às proteínas presentes no leite de vaca e derivados. Crianças alérgicas a esta proteína não podem tomar absolutamente nada de leite e nem ingerir derivados. Seja um golinho de minúsculo que a avó diz “não tem problema” ou um copão, a substância detona o processo alérgico da mesma forma. E os sintomas podem aparecer só um ou mais dias depois.

Já a intolerância é quando o organismo é incapaz de metabolizar o açúcar, especificamente também, do alimento. Isso seja pela falta ou pela deficiência de algumas enzimas que digerem nossa comida. Mais um exemplo com o leite. Nosso corpo produz uma enzima chamada lactase, ela é responsável por digerir a lactose (o açúcar do leite). Quem não tem ou não produz a enzima suficientemente provavelmente terá intolerância ao leite de vaca. Isso significa que se a criança consumir numa quantidade elevada pro metabolismo dela, irá ter problemas de digestão. Intolerância está sempre ligada a digestão do açúcar do alimento. Por isso as reação são imediatas, como vômitos, diarreias ou uma “simples” dor de barriga.

Diferenças explicadas e agora podemos ir mais fundo em cada uma delas. Importante não só as mães como pais e todos familiares saberem o que a criança tem para poder alimentá-la da melhor forma possível. Não adianta só a mãe se preocupar e fazer das tripas coração se a avó dá um biscoito ou um leitinho escondido só porque “ela queria”. Criança não quer. Somos nós adultos que definimos o que é melhor pra ela. E é só cuidando para que ela tenha uma alimentação saudável e livre de proteínas alergênicas ou excessos de açucares que temos como garantir um desenvolvimento forte e sadio. E não sou eu jornalista que está falando (rsss). A Dra Vanderli endossa dizendo que “quem tem filho alérgico precisa ter vida saudável e ir pra cozinha em casa preparar o alimento do seu filho. É só obedecer a natureza”, aconselha.

As alergias

Segundo a ASBAI, Associação Brasileira de Alergias, 30% da população hoje é alérgica, sendo 20% dessa amostra crianças. As alergias acometem de 6% a 8% das crianças com menos de três anos de idade. Estas que podem ser não só por alimentos como por poluição, pó, pelos de animais, mofo… enfim, alergia pode vir de inúmeras coisas. Mas o fato é que temos uma população alérgica crescendo e a idade ameniza, algumas vezes cura a doença, mas é pra uma vida inteira. “Alergia é doença e alergia pode matar”, fala a nutricionista Dra Adriana Kachani. “Uma mãe de filho alérgico precisa carregar na bolsa a caneta de adrenalina para que numa reação forte que ele possa a ter ela consiga reanima-lo”, diz. O assunto é serio. Já deu pra perceber. Muitos casos severos a criança não pode nem aspirar o pó do giz de lousa que contem proteínas do leite. Existe também a reação cruzada, onde no preparo de alimentos podem ficar microrganismos de outros que passaram por ali. “Uma criança alérgica não pode usar o mesmo copo de uma criança que toma leite, por exemplo, mesmo que ele tenha sido lavado e esterilizado. Alérgico você trata com muito cuidado”, conta a Dra Adriana. A patrulha tem que ser tão forte em cima do que a criança como e onde ela come que as mães acabam se juntando e formando grupos de ajuda com dicas de lanches e trocas de receitas, entre outros assuntos.

E mães fiquem atentas! Alergias começam a dar sinais quando o bebê nasce. É tomando o leite materno que a criança experimenta, pela primeira vez, os alimentos que a mãe ingere e sim pode ter reações negativas. “Como por exemplo, intestino preso, sangue nas fezes, eczemas na pele e até o fechamento da glote”, explica Dra Vanderli. O tratamento é a exclusão total da proteína, assim você dessensibiliza o bebê/criança. “Depois dos 4 anos é possível tentar introduzir a proteína novamente dependendo do grau de alergia que a criança apresenta”, completa.

Grupos de Apoio no Face

Tips for APLV

F Pais Brasil

Põe no Rotulo

#Põe no Rotulo

É uma campanha que a advogada Cecilia Cury, mãe do Rafael, 3 anos e alérgico desde 1 ano e meio, lançou na rede em fevereiro de 2014. De la pra cá ela já conseguiu quase 30mil seguidores, ou adeptos, na pagina do Facebook e, mais importante, conseguiu também sentar com industrias e Ansiva para discutir as questões que não aparecem nos rótulos. “Ir ao supermercado é uma aventura porque você precisar ler todos os rótulos e muitas vezes eles contem vários ingredientes, todos escritos com letras pequenas e nomes que o consumidor não entende o que é”, explica Cecilia. “O que a gente quer são rótulos mais claros e objetivos. Precisa dizer que aquele alimento contem traços de substâncias alergênicas”. Isso porque uma criança alérgica a leite de vaca pode ter reações ao comer uma farinha, por exemplo, que foi manipulada no mesmo local onde o leite passou. Logo mais Cecilia terá novas conversas com a Anvisa e a promessa deles é publicar ainda este ano uma norma para que a indústria sinalize em seus rótulos os traços dos alimentos. “Isso para mães como eu não termos mais que ficar correndo atrás dos SAC’s em busca de informação”.

A intolerância

Parece menos grave (e é), mas também precisa de atenção e cuidados. Ninguém quer o filho se contorcendo de dores de barriga ou diarreias apos comer algo que deveria ser delicioso para seu organismo não é mesmo? Certeza que sim. Intolerância não é doença, é um estado de resposta. Isso porque podemos não tolerar um tipo de açúcar hoje e amanha estar tudo bem. Isso a grosso modo. Porque a intolerância está diretamente relacionada a falta de enzimas que digerem o açúcar presente naquele determinado alimento no nosso organismo. Ou seja, eu posso ingerir uma quantidade de pão e não ter enzimas suficientes para fazer a digestão dele. Meu corpo vai reagir e devo passar mal. “E a reação é imediata. Dá um desconforto e a provocação é gastro intestinal”, alerta a nutricionista Dra Adriana Kachani. Normalmente ela acomete a criança após os 2 anos de idade, na fase de desenvolvimento do corpo e, provavelmente, quando ela crescer um pouco irá passar. Intolerâncias são cíclicas na vida e o diagnostico é difícil porque os exames não detectam 100%. “Como depende muito da quantidade ingerida, o Food Detective, nome do exame, dá muito falso positivo”, explica Dra Adriana. “As vezes a criança precisa de uma quantidade maior do que a apresentada no exame para ter reações”.

Outra diferença importante com relação as alergias é que quem tem intolerância a um alimento, como leite de vaca por exemplo, pode se sair bem comendo iogurtes ou queijos feitos a base do mesmo leite. Isso porque em alguns processamentos, como os que acontecem com os iogurtes, a lactose do leite já vem muito mais digerida do que no formato leite. Ou seja, diminui as chances da criança ter dores de barriga. Isso explica porque algumas crianças não suportam o açúcar do leite mas passam bem comendo danoninhos. Capisce?

Os inimigos

Existe um grupo de alimentos mais perigosos que as crianças alérgicas ou intolerantes. São eles:

Leite de vaca

Soja

Proteína animal (sendo a carne de vaca a que tem maior incidência e a de frango a menor)

Ovo

Trigo

Frutos do mar

Amendoim

Castanhas e nozes

Quando surgir uma suspeita, a primeira coisa a se fazer, ensina a Dra Adriana Kachani, é excluir o alimento suspeito e observar. “Mas a retirada precisa ser apenas do alimento suspeito e um por vez, senão não saberemos qual deu reação”, alerta.

Confirmada a suspeita o alimento precisa ser retirado da dieta. O tratamento da alergia baseia-se na exclusão total e da intolerância mede-se a quantidade capaz para o organismo fazer uma boa digestão. A dosagem é o remédio para a intolerância.

 

 

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