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A otorrino Dra Patricia Berenhi fala sobre um medo comum: a hora de operar a amígdala

“Meu filho tem que operar a garganta!!!”

Uma frase que abala qualquer mãe ou pai. Quantas dúvidas aparecem nesse momento e fazer ou não fazer?? Quais os riscos?Como será?? Vai sofrer?? Mas ainda se opera garganta?? Tem anestesia?? quanto tempo de hospital?? Ele vai ficar com baixa resistência?? Uau, são muitas perguntas, dúvidas e medos. Bom,vamos começar entendendo o que é “cirugia de garganta” e conversar sobre as dúvidas mais comuns de pacientes que vêm ao meu consultório.

As amígdalas e a adenóide fazem parte do sistema de defesa das vias aéreas superiores, que têm a responsabilidade de defender, aprisionar e eliminar virus e bactérias. O tamanho destas estruturas varia de criança para criança e a ausência pode ocorrer em crianças em estado de imunosupressão (submetidas a  quimioterapia, etc) ou em crianças que têm sua imunidade comprometida (deficiência de imunoglobulina, por exemplo). Então quando estão prejudicando? Temos 2 situações:
1. em casos de infecções de repetições, como as amigdalites, otites ou mesmo sinusites de repetição
2. ou quando elas obstruem as vias aéreas, onde a  queixa mais frequente é a dificuldade respiratória (ronco, respiração oral, dificuldade de ingerir alimentos que exijam mastigação, etc) associados ou não a perda auditiva (por aprisionamento de secreção dentro do ouvido – o famoso “catarrinho nos ouvidos”).

Nestas 2 situações a cirurgia esta indicada. Mas calma,vamos discutir algumas dúvidas mais frequentes.
Hoje, com avanço em medicações preventivas e as vacinas, a indicação por infeções das amígdalas (amigdalites) têm se tornado cada vez menos frequente. A cirurgia tem sua maior indicação na obstrução respiratória. É comum os pais referirem: “mas por que retirar as amígdalas, ele(a) não teve nenhuma infecção de garganta”. A obstrução respiratória leva a alterações do sono na criança e refletem, não so esteticamente, como postura de boca, língua, dentição e fala mas também impede crescimento adequado, altera atenção escolar, memória, predispõe a obesidade e podem levar (em casos muito graves) a insuficiência cardíaca (isto se deve a maior forca na inspiração do ar que passa por um afunilamento nas amigdalas e/ou adenóide).

A idéia de que a retirada desses tecidos faria com que a imunidade ficasse comprometida não é correta, temos um exército de proteção nesta região. Se a indicação for retirar amigdalas e adenóide, costumo dizer que estaremos removendo 3 soldados de um exército, afinal temos outras estruturas (amígdalas linguais, faringes, laringeas e tecido linfoide distribuído sobre toda a mucosa) que farão a defesa local.

A cirurgia, quando bem indicada, traz benefícios enormes para a criança. O crescimento, sono tranquilo, alimentação adequados e até a melhora comportamental. Enfim, há melhora acentuada da qualidade de vida. Os pais costumam dizer  “por que não optaram pela cirugia anteriormente?” tal a satisfacão com os resultados.

Qual a melhor idade para cirurgia? Depende do quadro clínico, abaixo dos 3 anos de idade a indicações são mais específicas. São crianças que apresentam obstrução mais severa com atraso de crescimento e/ou ganho de peso, ás vezes com perda auditiva ou infecções muito recorrentes, são casos mais severos.

Qual a chance de “retornar”o crescimento destas estruturas? As amígdalas são envoltas por  capsulas, então sua chance de “voltar”não existe. A adenóide tem implantação sem cápsula, por este motivo pode retornar, mas na grande maioria dos casos não volta a ser obstrutiva. A partir de 3 anos a chance da adenóide crescer após sua retirada é muito menor do que em crianças abaixo desta idade.

Uma vez indicada a cirurgia será necessário realizar exames pré operatórios (hemograma, coagulograma e avaliação cardiológica) para evitar intercorrências. Ás vezes os resultados podem contra indicar a realização do procedimento ou sinalizar a necessidade de cuidados adicionais. A cirurgia é realizada sob anestesia geral, que na criança é inalatória (o anestésico e administrado sob a forma de gás) – o famoso”cheirinho”, mas exige entubarão. O tempo de cirurgia varia de 40 a 90 minutos, dependendo dos procedimentos a serem realizados. O tempo de internação, geralmente, é por um dia.
O pós operatório de adenoidectomia é mais “tranquilo” do que quando associado a retirada de amigdalas pois não há restrição alimentar  e a criançaa estará bem em 3 a 4 dias. Quando a amigdalectomia é realizada o paciente deverá seguir dieta liquida-pastosa no pós operatório e com frequência há perda de peso (pela dieta e também pelo processo doloroso mais intenso) que será rapidamente restabelecido.

A chave do sucesso da cirurgia está na boa indicação, escolha do profissional e na boa relação com o mesmo.
Espero que tenha elucidado as dúvidas e receios. Se houver mais questões me encontro a disposição no email patriciaberenhi@terra.com.br

 

Dra Patricia Berenhi

Formada na Unicamp, tem especialização no Hospital do Servidor Publico estadual, estágio na Fundação Portman-Bordeaux na França, membro da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia, membro da IAPO (Interamerican Association Pediatric Otorrinolaringology)

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