educação

Presente não compra presença

A falta de presença dos pais dentro de casa ainda é justificativa para os presentes fora de hora que os filhos ganham. E com isso pais gastam a rodo para manter caprichos e vontades sob controle. Desdobram-se para proporcionar férias no circuito Brasil – Miami, assumem padrões de vida que não lhe cabem e pior, mantêm os filhos numa realidade que não existe. Criam os pequenos monstrinhos que a gente vê circulando por casas de amigos, restaurantes e clubes. Transformam ausência em recompensa.

Se você se identificou com o abre acima, sinta-se a vontade para avançar mais algumas casas do jogo. Afinal está tudo errado mesmo! Quem aqui se lembra da chamada na escola, logo no começo da aula? O professor chamava o seu nome e o que você respondia? “Presente!” Bingo. Estar presente é um presente. A palavra que é apenas uma, tem dois usos tão distintos e, ao mesmo tempo, tão próximos. Presença é sinônimo de presente e vice versa.

Pesquisas e estudos mostram que crianças que convivem com os pais e têm eles presente no seu dia a dia, têm um maior aproveitamento na escola e um melhor desempenho. Estenda isso ao longo da vida, claro. Estabelecer vínculos é o maior presente que essas crianças podem ter. Muito maior que viver um estilo de vida deturpado que prioriza a ponte aérea Brasil – Miami.

A cultura do “must have” + a culpa cria uma avalanche de pais que, em efeito escala, expõe seus filhos a um consumo desenfreado em shoppings, viagens e festas de aniversários. Outro dia o filho de um amigo, de nove anos, disse aos pais que queria viajar para Miami porque os amigos contaram que é um bom lugar para fazer compras. Oi? Como assim? Como uma criança de nove anos desconstrói simplicidades da vida? Como a escolha de um local de viagem pode estar associada à compra que você fará por lá? Crianças não são responsáveis por colocações como esta que você acabou de ler e, sim os pais. Desculpem, mas os grandes culpados por essa orla são os pais! Alguém já pensou em formar seres humanos íntegros e verdadeiros e não competidores de mercado? O mundo e o futuro não comportam mais esse estilo de vida onde o “ter” substitui o “ser”.

Desde que nossos pequerruchos nascem cada gesto, cada pensar nosso é sempre direcionado para que eles sejam preparados para “ser alguém na vida”, embutido de valores – claro, de novo. Isso somado ao plus do que cada um trouxe ao mundo como ser humano. O aprender vem dessa soma – do que nós ensinamos e do que eles trazem consigo – e quando ele é realmente interiorizado é que se está pronto. Essa é a diferença básica entre ensinar e adestrar. O que nós fazemos é tentar por limites, ou seja, tentamos dar direção guiando e educando a vontade deles. É o “não” poder tudo, ter tudo ou fazer tudo.

Opa! Então peraí: vamos reforçar, pois a primeira coisa que temos que entender é que sem repressão não há educação, pois não existe democracia sem regras e sem proibições. Correto? Sim!

Enquanto a gente vive esse choque de uma educação ainda cheia de valores perdidos e totalmente subvertida, as crianças andam soltinhas por ai, com uma independência aparentemente madura. Vale a gente lembrar que se educa para a vontade através da liberdade. É o educar para “ser” e não para “ter”. Isso é a autoconsciência. Difícil, não?! Na nossa época não tinha nada disso…

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