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Atividades que as crianças podem fazer além do futebol e do balet

Foi-se o tempo, literalmente, em que fazer aulas de ballet, futebol e até natação era divertido na rotina das crianças. Natação por exemplo é algo obrigatório nos dias atuais. Saber nadar é uma questão de sobrevivência e não escolha. Ponto. E as crianças que nós fomos, não são mais as crianças que nós tivemos. Ou seja, existe uma geração de pequenos que está nos ensinando a descobrir novos desejos, prazeres e sentidos. Sim, porque estamos falando de seres com sentidos ampliados e mais diversificados.

Experimentar o sabor das palavras e sentir o cheiro das cores é o desafio dessa galerinha. Uma geração que usa os sentidos para brincar e se divertir tendo a tecnologia como uma de suas ferramentas. Os pequenos tocam nas telas de celulares e tablets para ver filmes, desenhos, pintar, desenhar, jogar…Tudo através dos sentidos, onde o corpo em contato com algo que o estimule, reage e provoca sensações.

Toda essa introdução para explicar, e justificar, o porquê as crianças têm buscado novas atividades fora da escola. Elas querem agora fazer aulas de tricô, crochê, culinária, fotografia, teatro, dança, yoga, skate e até oficina de art toy tem! E o mercado está correndo atrás para oferecer cursos que satisfaçam a curiosidade desses pequenos. Uma forma bacana e divertida de ampliar conhecimento, inovando a maneira de explorar o mundo. 

E aqui é preciso ter o auxilio dos pais, tanto na escolha do curso quanto na dosagem das atividades. A educadora Ana Paula Cury dá uma dica de como escolher indo além da vontade que é “percebendo os talentos naturais de seu filho e estando atento para o que cada uma destas atividades vai realmente trazer de bom para ele”. “Elas podem contribuir para a formação da criança sempre que lhe tragam a possibilidade de expandir o repertório de habilidades com alegria e senso de realização e gratificação. Muitas vezes podem ser a oportunidade de se revelar um dom e lapidá-lo para que mais tarde ele seja um instrumento na experiência da própria vocação”, completa a educadora.

Fica também um alerta do pediatra Dr. Leonardo Posternak para não sobrecarregar as agendas repletas de compromissos e obrigações e instituindo como dever algo que deveria ser divertido.

Culinária

Quem ainda passa tardes gostosas na casa da avó fazendo um bolo saboroso ou passando bolinhos de chuva na canela? Hum…Na escola Minichefs, em SP, é possível ter uma tarde dessas acrescida de outras receitas nutritivas e balanceadas.

O que parece apenas uma brincadeira lúdica e divertida, tem todo um contexto de formação por trás, uma vez que a prática culinária as expõe à conceitos como planejamento, organização, paciência, planos de contingência, trabalho em equipe, reciclagem e estética. “Além disso, apresenta elementos culturais, enriquece o vocabulário. Sem contar que amplia o cardápio da criançada, pois além de apresentar uma grande variedade de alimentos, o envolvimento no preparo dos pratos estimula à experimentação, o que muitas vezes é o maior desafio enfrentado pelo pais”, diz Andrea França, proprietária da escola.

Os cardápios, muitas vezes temáticos, mudam a cada semana e não se repetem ao longo de 1 ano. Todos preparados por nutricionistas, buscam fazer misturas inusitadas ao paladar dos pequenos. Fazendo com que eles provem sabores ainda desconhecidos. Os pais também podem participar de algumas aulas especiais que acontecem em alguns finais de semana ao longo do ano. Andrea conta que as demonstrações de entusiasmos são infinitas e que os pequenos costumam ir embora orgulhosos de suas produções e loucos para cozinhar as receitas em casa.

Costura

A Love Blankie começou daquele jeitinho bem caseiro que a gente conhece, sabe? Quando surge a vontade, dai o filho experimenta, e a amiga pede…e quando a Fernanda Aline Sanches percebeu ela já estava alugando uma casa maior e até fazendo festas de aniversário em seu espaço. “Eu descobri, uma nova demanda das mães que tem uma boa recordação com costura e a curiosidade das crianças que ficam encantadas com as máquinas e a possibilidade que ela dá de fazer o que você quiser”, explica.

Por trás de agulhas, rolos de tecidos e aviamentos, existe o aumento da coordenação motora, a melhora da concentração, acalma, foca, e o melhor de tudo: aumenta a auto estima da criança com o “eu que fiz”. Parênteses aqui. Sem falar no…“eu fiz para você!”. “Uma criança que costura com certeza cresce com um hobby que pode lhe fazer muita companhia e a criança que perceber esse encanto com certeza será muito feliz”, gaba-se Fernanda que diz surpreender-se com os pequenos que vão atrás de realizar o desejo do momento. Como “eu quero fazer uma mala para dormir na casa da minha amiga esse fim de semana”, “eu quero fazer um babador para o meu avô que está no hospital” ou “eu quero fazer uma almofada de coração para a minha mãe porque eu amo ela”. Precisa de mais? Com certeza não. Aqui precisa apenas trazer a vontade que a história deixa que a costura se encarrega de alinhavar aconchego, carinho e crescimento.

Tricô e Crochê:

A filosofia oriental acredita que o movimento repetitivo organiza o pensamento interno. Depois veio o antroposofo Rudolf Steiner dizer que o aprendizado deve acontecer de forma orgânica na criança. E por último veio a ciência que comprovou os dizeres acima e atestou sua “eficácia”. Bom, junte agora tudo isso e você tem no tricô e no crochê uma atividade totalmente prazerosa, lúdica e fascinante também.

Na Novelaria, loja e escola aberta recentemente na Vila Madalena, existe um espaço super aconchegante para tricotar e bater papo. Sim, porque quem tricota conversa bastante! Inclusive os pequenos. “Elas conversam bastante, contam casos e falam de varias coisas”, revela Lica Isak, uma das sócias. Durante a aula é a criança que escolhe o que quer fazer e para isso as professoras disponibilizam um belo acervo de livros e idéias do que fazer. O espaço também oferece curso de feltragem e fazem festas de aniversario aonde elas fazem uma aula e saem geralmente com uma peça pronta . Certamente é uma tarde bem diferente, que dá saudades…do tempo das nossas avós.

Arranjos Florais

Desde pequenos as crianças cantarolam músicas com flores. Depois “aprendem” sobre os passarinhos, seus cantos, os vôos…e chegam nas sementinhas que viram flores. Flores. Aliás, ir ao Ceasa é um programa incrível para fazer com eles! Se a gente já se encanta com todas aquelas possibilidades de cores, cheiros, tamanhos, texturas e…ufa! É lindo demais mesmo.

São muitos os ganhos de quem faz arranjos florais. O contato com a natureza através das flores, sementes e folhagens é com certeza o maior deles. “Eventualmente, eles se surpreendem com algum inseto escondidinho embaixo de alguma folhinha e adoram”, conta a florista Daniela Féres, da Via Flores. O desenvolvimento de habilidades como criatividade, percepção visual, olfativa e tátil, sensibilidade estética, e desenvolvimento das inteligências espacial, lógica, corporal e intrapessoal, são outros tantos benefícios citados pela florista. Sem contar a auto estima que tudo isso gera na criança. Imagina a carinha delas com um arranjo lindo em mãos, feito pelas próprias mãos, e levados para enfeitar a casa. Definitivamente, aqui eles criam algo do qual admiram muito e isso dá um prazer danado. Ah! Detalhe importante que merece ser contado: as aulas são dadas ao som de Primavera, de Vivaldi.

Yoga

A prática caiu nas graças do povo descolado, modernet’s e afins. De alguns anos para cá (já são quase 10), a yoga ganhou destaque em academias e, principalmente, no dia a dia, das pessoas. E agora as crianças também entram para esse hall de maneira lúdica e divertida. Os benefícios são vários e acolhem âmbitos físicos e mentais. A prática trabalha a flexibilidade, consciência corporal, equilíbrio, ensina a respirar corretamente pelo nariz (que muitas crianças não fazem) e desenvolve a concentração, que é a etapa anterior à meditação. Melhor do que muita aula “tradicional” que promete mundos e fundos. E as crianças adoram! Trazem respostas super positivas aos estímulos que recebem. Sócia proprietária do Espaço Paramita, Kinha Del Mar, conta que as posturas em dupla são as preferidas. “Descobrir o próprio corpo com automassagem, ficar nas inversões e ouvir as histórias onde são trabalhados os valores presentes na filosofia do yoga também fazem parte das aulas”, completa.

Aqui tem outro aspecto super positivo e que vale chamar a atenção para a yoga que é a percepção de valores que a atividade traz embutida. Kinha acredita, assim como mestres e professores de yoga, que “quanto antes pudermos dar a oportunidade para as crianças entrarem em contato com aspectos como a paciência, a generosidade e a união, teremos adultos mais humanos e bem formados espiritualmente”. Certamente uma visão de mundo que integra sociedade, corpo, mente e alma.

 

 

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