diário

Com meus filhos aprendi a cozinhar

Primeiro nasceu o Pedro e nessa época nem empregada eu tinha. Uma pessoa ia na minha casa 2x na semana fazer faxina e tava de bom tamanho. Mas logo ele começou com as frutas e depois a comidinha e eu queria dar alimentos frescos. Sempre. Dai a Maria, cozinheira da família há mais de 20 anos, começou a vir em casa cozinhar pro Pedro. Tudo fresquinho e com o maior amor do mundo. Eu deixava ele se lambuzar totalmente. Pegava com a mão, passava no rosto, misturava…era um festival de cores e sabores, literalmente.

Logo depois veio o Lucas e quando ele entrou na papinha, o Pedro já era maior, tinha quase 2 anos, e já precisava comer prato com arroz, feijão, carne e legumes. Então chamamos uma pessoa pra trabalhar em casa todos os dias. A comida tinha que ser fresca. Esse sempre foi meu único requisito. Nada de dar congelados pros meninos. Nem suco de caixinha entra em casa. É fruta espremida ou batida na hora. Bom, e por último, na raspa do tacho, veio do Felipe. Não preciso nem dizer que por ele ser o terceiro não teve a fase da papinha ou dos legumes cozidos e separadinhos. Felipe foi direto pro prato de arroz feijão e legumes. Até ovo ele comeu logo cedo. E ta ai, super hiper forte! Toda preocupação que a gente tem com o primeiro se dilui total quando chega no terceiro. No segundo já ajuda, mas o terceiro… vai sozinho. O que é bom demais porque a independência que ele tem, os irmãos não têm nem se quiserem.

Bom, e dai com 3 meninos em casa claro que a Maria passou a vir sempre e claro que eu também comecei a olhar pra comida de uma forma nova. Antes eu nem almoçava em casa. Passei não só a almoçar como a sentar com eles na mesa , ajudar a fazer o prato, ensinar a fazer o prato, a comer, a como se portar na mesa, a fazer a escolha dos alimentos… Em casa tem regra: pelo menos 4 coisas no prato e sempre precisa de um verde, mesmo que seja só um fiapo de couve manteiga por exemplo (é que o Lucas é terrível pra comer verdes). E tinham os lanches da manhã ou da tarde também e precisava ter pão fresquinho, iogurtes, frutas e bolos caseiros. Maria começou a fazer pra eles e logo eles quiserem ir pra cozinha ajudá-la. Desde pequeno, os três puxam a cadeira e encostam na pia ao lado dela pra ajudar a cozinhar. Se eu falo que eles estão bagunçando e mando sair, a Maria fica brava comigo e diz “não! deixa eles aqui que me ajudam”. Daniel meu marido também é da cozinha. A mãe dele tem restaurante e colocou, desde cedo, os 4 filhos na cozinha também. Daniel adora fazer um café da manhã caprichado com os meninos. Fazem omelete, tapioca e sucos. Agora que os meninos estão maiores (11, 9 e 7 anos), eles mesmo já fazem tudo sozinhos. Separam os alimentos, cortam o que for preciso e preparam a receita. Inclusive cebola bem picadinha, sabe?

O incentivo é nosso sim. E demos autonomia pra isso. Precisa. É importante saber cozinhar sua própria comida e colocando a mão na massa, literalmente, cria-se vínculo com o alimento. A gente passa a conhecer melhor o sabor daquilo ali e pra que ele serve, ou quantas receitas podemos preparar com uma mesma fruta, por exemplo. Logo descobri uma escola de culinária perto de casa, a Minichefs, e lá foram os 3 fazer curso de férias. Amaram! E pediram pra fazer mais aulas. Fizeram. E toda vez que dá eles vão aprender algo novo. Voltam super felizes. Querendo sempre cozinhar mais em casa. 6f antes do feriado foram ao estúdio do Marcio Mussarela gravar um programa pro canal Gourmet Network sobre crianças na cozinha. Ficaram se achando, claro. E eu, confesso, toda orgulhosa. Já são super independentes na cozinha.

E a mãe? Onde eu entro nessa história? Cheiros são das melhores lembranças que tenho. E lembrei das coisas que minha mãe cozinhava quando eu era pequena. E dos pratos que minhas avós faziam quando a gente chegava na casa delas. Tinha o creme amarelo que minha vó Norma fazia pra mim, o curau de milho que meu vô fazia e o bolo formigueiro da minha outra avó. Tempo aqui no texto: quando fiz bolo formigueiro pela primeira vez pros meninos, eles acharam, de verdade, que tinham formigas no meio do bolo e não quiserem comer!!!

Minha mãe fritava o melhor bife! E ela que ensinou a gente a “tchuchar” pão na gema mole do ovo frito (bem italiano). E minha infância tem esses cheiros, entre tantos outros. E lembrei que infância tem cheiro de comida e que essa memória é forte demais. E por conta disso, eu, que nunca nem tinha fritado ovo, deveria entrar na cozinha. Pra fazer receitas que fossem crescer com a infância dos meninos e que, um dia, quando eles estiverem grandes, irão me pedir pra fazer. Um cheirinho de bolo que vai ser o cheiro da minha casa, cheiro do carinho e de aconchego. E que eu vou poder fazer pros meus netos também. E me dei conta que, por causa dos meus filhos, eu aprendi a cozinhar. Porque vale demais cada vez que eu tento fazer uma receita pra eles e eles comem e dizem que é o melhor bolo que eles já comeram. Eles ficam orgulhosos e eu também. Porque têm muito amor em cada fornada. São receitas que serão receitas de família e isso tem um valor enorme nessa vida. <3

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